O maior amor do mundo

Há meses eu não pensava em outra coisa a não ser em nós. Em te ter em meus braços e te amar pra sempre.

Eu ouvia sua voz dizendo meu nome, eu via seu rosto apoiado no meu colo.

Eu sentia seu cheiro, eu sentia a sua mão na minha.

Eu te abracei, eu te mostrei o mundo. E você me amava.

E eu te amava mais que tudo nessa vida, e vou amar para sempre.

E quando eu finalmente te tive em meus braços

-não do jeito que eu queria, não do jeito que eu sonhei-

Eu tive que nos deixar ir.

Mesmo tudo não tendo passado de um sonho, eu vou te amar para sempre.

E vou levar vocês para sempre comigo, da mesma maneira que vocês me levaram para sempre.

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a vida dos outros.

(Esse post poderia ser chamado de inveja)

Um amigo meu está morando em NY fazendo cinema no NY academy of the arts (ou algo parecido).
uma amiga minha é fotógrafa e tem um dos sites mais visitados do país.
Um amigo meu é dono de um site de microleiloes e está milionário.
Uma amiga minha está morando no RJ fazendo nada o dia inteiro e sendo feliz…

eu estou aqui sentada na frente de um livro de pediatria pensando q se eu nao passar na PORRA dessa prova de residencia, a casa cai pra mim.

Jacó

JBA, 11 anos de idade, sexo masculino, procedente do Distrito Federal. Submetido anteriormente a 42 cirurgias por extrofia de cloaca associada à meningomielocele. Encontra-se internado aguardando correção de fístula da sua colostomia para poder alimentar via oral novamente.

Jacó -nome fictício- é meu paciente da cirurgia pediátrica. Ele tem 11 anos de idade e já foi submetido a 42 dolorosas cirurgias. Uma dessas foi para realização de ureterostomia (tipo assim ele não tem bexiga. Ele tem uma bolsinha pendurada do lado direito pra onde vai o xixi). Outra dessas cirurgias foi para realização de colostomia e jejunostomia (tipo o cocô dele vai para outra bolsinha do lado esquerdo). Não sei quando e não sei porque mas uma dessas cirurgias também foi para emascular o menino. Jacó não tem pênis nem bolsa escrotal, não consegue se alimentar pela boca, não consegue andar por muito tempo pois a parede abdominal dele é aberta (eu disse aberta) em 3 planos diferentes e também porque o catéter é um trombolhão que fica preso na clavícula dele… mas não era pra ser assim pois ele lê, escreve, joga videogame e sabe de tudo que se passa ao redor, muito bem obrigado.

Hoje pela manhã fui perguntar ao chefe da unidade sobre o prognóstico do menino e, depois de um sorrisinho de compaixão ele disse ”nenhum, doutora”.

É apenas uma questão de tempo até aquele menino virar apenas mais um artigo científico em congresso, quiçá numa revista indexada internacional. Certamente, o sofrimento -da família e dele- um dia chegará ao fim… mas é triste ver como a vida pode ser tão boa com alguns e tão cruel com outros e sem motivo algum.

É triste ver que um garoto tão bonito, alegre e disposto nasceu com o destino traçado de uma forma tão trágica que é difícil de aceitar. São coisas como essas na medicina que me machucam profundamente e me fazem refletir qual é o papel do médico na vida de uma pessoa… nós não somos nada.

Daqui uns anos -assim espero- aproximadamente 60 cirurgiões, inúmeros auxiliares, enfermeiros e estudantes seguirão suas vidas normalmente mesmo que um caso tão raro e tão discutido em sessões clínicas e radiológicas tenha chegado ao fim. O caso continuará repercutindo, as iniciais aparecerão em artigos e pôsteres…

mas pôster nenhum vai dizer que Jacó é corinthiano, gosta de Ben 10, quer passar o natal em casa e tem medo de tirar sangue.

E hoje eu não quero mais falar sobre nada.

Très inquiet de mon avenir

Hoje comi 5 brigadeiros, 2 alfajores Havana e fiz um total de zero minutos de exercício físico. Puxei muitos fios de cabelo, roí minhas unhas, xinguei mentalmente um cara que gritava na minha rua e ainda não liguei pro meu namorado. Me sinto perdida, me sinto desesperada.

Daqui 2 meses enfrentarei a prova mais difícil que eu já prestei em toda a minha vida… enquanto meus concorrentes estão se estribuchando com as apostilas do MED, eu estou aqui de pijama (meu traje do dia), com um gosto de açúcar que provavelmente nunca vai sair da minha boca e me sentindo um fracasso.

Depois de 5 anos e 10 meses, cá estou eu nos últimos 2 meses do meu curso de medicina. Não sei o que fazer depois disso. (Que tal virar médica, amiga?) A verdade é que a faculdade te ensina a ser um profissional mas não te ensina a lidar com grandes mudanças… esse é um amadurecimento que vem da vida, e é aí que começa o meu sofrimento: não sinto que vivi o suficiente… e só de pensar nisso, sinto aquela vontade de voltar a assaltar a geladeira.

Começo esse blog para tentar organizar minhas ideias e também como uma forma de deixar registrado todo esse sofrimento pois espero que ele seja recompensado!

O plano A: passar numa boa residência para cirurgia

O plano B: passar numa residência para cirurgia.

O plano C: não passar, gahar dinheiro e viajar metade do ano que vem (e passar a outra metade estudando para tentar os planos acima novamente).

 

Bom, vou assaltar a geladeira e ver se tenho coragem de abrir a apostila de pediatria.

Bisous,
votre chirurgiènne

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